sexta-feira, 4 de setembro de 2020

 

EVANGELHO EMPÍRICO

RESUMO

Pr. Bartolomeu Costa dos Santos. Prof. FAEPI  - bc258399@gmail.com

 

O neo pentecostalismo é um evangelho empírico. Depois de fazer uma análise do ponto de vista da hermenêutica e da exegese.  Verificando-se os fundamentos doutrinários da teologia bíblica usada por esse seguimento religioso. O referido evangelho, não tem consenso com o que pregava Cristo e nem tão pouco com os discípulos primitivos. esse seguimento, está baseado em testemunhas que apresentam, em geral, vitórias financeiras a partir de um determinismo, que faz do seu “Senhor” um serviçal. Defendem uma prosperidade incondicional. Não respeitam o mínimo do que propõe a hermenêutica bíblica, que propões uma análise dos textos bíblicos dentro de uma imparcialidade. A concepção, historicamente, de prosperidade para Israel, é uma conquista tanto espiritual como material, coisa desassociada das interpretações do neo pentecostalismo. A cura, também como determinismo, é potro ponto explorado por esse seguimento. O exorcismo é um dos carros chefes deles. Aqui se faz críticas e contextualidade aos critos Sagrados. Considera-se tembém os símbolos bíblicos dos apocalipse. Fala-se das linguagens da Bíblia e por fim, como aplicar a Palavra de Deus em nossos dias.

 

Palavras-chave: Evangelho, prosperidade, cura, exorcismo e ensino bíblico teológico conciso.

 

El neopentecostalismo es un evangelio empírico. Después de hacer un análisis desde el punto de vista de la hermenéutica y la exégesis. Verificando los fundamentos doctrinales de la teología bíblica utilizada por este segmento religioso. El evangelio referido no tiene consenso con lo que Cristo predicó, ni con los primeros discípulos. Este seguimiento se basa en testigos que, en general, presentan victorias financieras basadas en un determinismo que hace de su "Señor" un servidor. Abogan por la prosperidad incondicional. No respetan el mínimo de lo que propone la hermenéutica bíblica, que propone un análisis de los textos bíblicos dentro de una imparcialidad. La concepción, históricamente, de la prosperidad para Israel, es un logro tanto espiritual como material, algo no relacionado con las interpretaciones del neo pentecostalismo. La curación, también como determinismo, es un punto explorado por este segmento. El exorcismo es uno de sus buques insignia. Aquí se hacen críticas y contextualidades a los Criterios Sagrados. También se consideran los símbolos bíblicos del apocalipsis. Hablamos de los idiomas de la Biblia y, finalmente, cómo aplicar la Palabra de Dios en nuestros días.

 

 

Palabras clave: Evangelio, prosperidad, curación, exorcismo y enseñanza bíblica teológica concisa.

 

INTRODUÇÃO

          Evangelho, segundo a definição do moderno dicionário da língua portuguesa (1971) “doutrina de Cristo”. De conformidade com o Dicionário Bíblico: A palavra Evangelho, deriva do grego “eu-angelion”, mantem o significado de “boa nova”. É de se entender que os ensinos sobre o Evangelho devem ser bem embasados tendo como suporte a hermenêutica, exegese entre outros. Com o objetivo de fazer uma sucinta análise critica dos ensinos doutrinários do neo pentecostalismo, sobre o Evangelho, considero importante esclarecer ao leitor principalmente os pentecostais históricos, as armadilhas postas pelo neo pentecostalismo em relação à interpretação do Evangelho.

          Partindo-se do princípio de que o Evangelho é anúncio de boas novas, há razão sobeja para que haja preocupação em relação ao que se está ensinando como doutrinas bíblicas do Evangelho. Pois as boas novas não são inovações, mas antes de tudo, algo edificante que contribua para a vida, conduta moral e social dos seguidores de Cristo. Verificar também que tipo de Evangelho prega o neo pentecoste, que tipo de prosperidade, de cura divina, o exorcismo adotado por esse seguimento. Qual a fundamentação bíblica teológica, as interpretações e a hermenêutica usada que eles usam é relevante? E a exegese, o que dizer?

          Nesta pesquisa foi usada a abordagem teórica bibliográfica.

 

EVANGELHO IMPÍRICO

         Segundo a enciclopédia livre (2020), empirismo é uma teoria do conhecimento que afirma que esse sobre o mundo vem apenas da experiência sensorial. O método indutivo, por sua vez, afirma que a ciência como conhecimento só pode ser derivada a partir dos dados da experiência. Essa filosofia afirma que a construção do conhecimento gera o problema da indução. Pois neste sentido é supervalorizada. Um dos vários pontos de vista da epistemologia, o estudo do conhecimento humano, juntamente com o racionalismo, o idealismo e historicismo, o empirismo enfatiza o papel da experiência e da evidência, experiência sensorial, especialmente, na formação de ideias, sobre a noção de ideias inatas ou tradições empiristas que argumentam, porém, ser das tradições (ou costumes) o surgimento devido das relações de experiências sensoriais anteriores. Nesse sentido, o neo pentecostalismo prega um evangelho empirista. Quando se faz uma análise do ponto de vista da hermenêutica e da exegese bíblica teológica, percebe-se que esse evangelho não tem uma fundamentação bíblica, teológica e doutrinária bem embasada. Pois seus ensinos estão fundamentados em testemunhas duvidosas de seres sobre naturais como é o caso das entrevistas com os demônios (daimoneos do grego), fonte insegura para se crer, pois a Bíblia diz que o Satanás é o pai da mentira (Jo 8.44). Como confiar em argumentos de Demônios?

          O que é empirismo? Conceituando-se empirismo, mesmo de forma simples, podemos afirmar que este é um conhecimento que não tem fundamentação científica e tratando-se do ensino bíblico teológico, não se pode conceber a ideia de um ensino consistente sem uma fundamentação da hermenêutica bíblica. Pois só com esta e outros estudos dos temas bíblicos, é que se pode afirmar, convictamente, que a doutrina de um determinado ensino ou assunto bíblico, é relevante. A Bíblia, neste caso, constitui-se como se fosse à fundamentação científica para um conhecimento aceitável.

          Quando se faz uma verificação das mensagens, pregações e ensinos apresentados pelo seguimento neo pentecostal, averigua-se que os tais não estão de acordo com os que foram proferidos pelos discípulos primitivos e muito menos com os ensinos de Cristo que ensinavam a submissão a vontade de Pai como o próprio Cristo deu o exemplo no momento de maior angustia de seu ministério terreno: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte... Meu Pai se for possível passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres (Mt 26.38,39). Assim é percebido que o principal fundamento dos ensinos e mensagens de Cristo estão embasados na obediência a vontade do Pai e não apela para uma imposição querendo que esse faça a sua própria vontade, como ensina desse seguimento neo pentecostal. Pois seus argumento estão fundamentados nas testemunhas que apresentam, em geral, vitórias financeiras a partir de um determinismo, que faz do seu “Senhor” um serviçal sem direito a uma vontade própria. O Deus que eles apresentam é alguém que tem como função principal a obediência aos seus “servos senhores” que não aceitam nada fora de seus próprios propósitos.

          Por que se diz isto? Hora, qualquer um conhecedor dos ensinos bíblicos mais fundamentados, sabe que uma doutrina bíblica não será considerada consistente se esta for fundamenta em versículos isolados ou simplesmente em testemunhas de supostas vitórias financeiras. Pois, sabendo-se que o critério essencial de uma doutrina bíblica é a fundamentação desta em um compêndio de pesquisas e estudos do referido assunto, logo se espera que tais pesquisadores apresentem provas contundentes ao aludido assunto e só assim se pode considerar como assunto ou tema verdadeiro. Outra questão séria, é que diante do exposto, percebe-se que os ensinos e mensagens do Noe pentecostalismo não estão fundamentados nos princípios essenciais da hermenêutica bíblica e muito menos da exegese, pois além do esvaziamento consistente dos assuntos, quanto seus aprofundamentos teológicos propostos pelas disciplinas acima, não é razoável considerar que estes ensinos sejam consistências. Outras questões a serem avaliadas são a prosperidade, a cura e o exorcismo apresentados por eles.

PROSPERIDADE, CURA E EXORCISMO.

          O neo pentecostalismo usa como fundamento essencial, para sua doutrina, as temáticas acima mencionadas.

Prosperidade.

          Segundo o dicionário online (2020) é:

substantivo feminino Característica de próspero, desenvolvido, abundante, bem-sucedido, rico, propício: ele desejou aos noivos "paz, amor, prosperidade e felicidade pessoal". Circunstância favorável ou próspera; felicidade. Excesso de bens materiais; riqueza. Fabricação de alimentos e produtos consumíveis em abundância; fartura. Etimologia (origem da palavra prosperidade). Do latim prosperitatis.

 

          Como se pode verificar, prosperidade na concepção acima, está mais fundamentada no acumulo de bens materiais. Já para a concepção bíblica, sobre o mesmo assunto, aparecem elementos novos para o entendimento da mesma temática. Dessa forma, deve-se fazer um estudo bem fundamentado sobre o tema tanto no Novo quanto no Antigo Testamento. E verificar-se-á que os dois apresentam duas propostas, um tanto distintas, em seus conteúdos. O Antigo, por exemplo, apresenta uma conquista terrena e espiritual para o povo de Israel. Basta uma breve verificação, tomando como base os primórdios da história deste povo, para se vê que a conquista terrena era uma mensagem enfática entre ele. Um exemplo clássico registrado na história de Israel desde a fuga do Egito. A ênfase central do discurso durante toda a jornada no deserto foi a conquista e posse da terra prometida. Assim é perceptível que esta era o tema principal dos discursos de Moisés, a promessa da terra prometida ao patriarca Abrão deste de Harã:

 

Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. Partiu, pois Abrão, como o Senhor lhe ordenara, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Abrão levou consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhes acresceram em Harã; e saíram a fim de irem à terra de Canaã; e à terra de Canaã chegaram (Gn 12.1-5).

 

 

          Como se pode ver, Deus faz uma promessa a Abrão de abençoar em uma terra que lhe amostraria, inclusive fazendo dele uma grande nação. Não é o caso da Igreja do Novo Testamento, onde fica bem explicito que a terra prometida é a celestial, quando Jesus promete vir buscar os seus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou prepara-vos lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde estou estejais vós também” (Jo 14. 2,3). Assim não justifica, por exemplo, o ensino de que onde a planta do pé de um crente pisar ali será, literalmente, propriedade dele. Essa promessa de Deus tratava da aliança feita com Josué por ocasião da conquista de Canaã, terre que manava leite e mel. Historicamente, qual a concepção de prosperidade para Israel?

A concepção historicamente de prosperidade para Israel.

          A concepção, histórica de prosperidade para Israel, fundamenta-se em duas questões principais: a conquista espiritual e material. Sendo que esta última se tornou em um parâmetro para medir a fidelidade de Israel para com Deus. Desta forma, observa-se que culturalmente há uma diferença na compreensão de prosperidade entre Israel e a Igreja do Novo Testamento. Pois do ponto de vista do Novo Testamento, a Prosperidade é fundamentada na condição espiritual e não a prosperidade como preveem os israelitas. Pois eles têm a conquista da terra como parâmetro para medir a fidelidade de seu povo para com Deus. Tratando-se da cura divina, como os neo pentecostais a interpretam?

A cura.

          Considerando-se a referência abaixo do Evangelho de Marcos, a cura faz parte dos sinais que seguem aos que creem:

 

E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados (Mc 16.17,18).

 

          Como está evidente, a cura faz parte dos sinais que seguem os que creem, logo não poderá fazer parte de uma fundamentação doutrinária bíblica teológica, pois o texto diz com muita clareza, “aos que creem” assim não terá uma consistência universal que possa fundamentar uma doutrina, pois o termo em evidência afirma: “aos que creem”. Uma doutrina bíblica se configura consistente e irrefutável quando ela tem um âmbito universal e não é o caso da referida citação. Ela pode ser considerada de muita relevância tendo em vista que milagres deverão ser sempre, algo para se viver no sobrenatural e nunca corriqueiramente. Quando falo que a referência acima citada, não nos dá embasamento para uma doutrina consistente, não estou desconsiderando e nem diminuindo a importância da cura divina, mas sim, dizendo que para que se tenha uma doutrina bíblica universal, precisa que ela seja fundamentada num contexto amplo da Bíblia a ponto de não deixar orifícios onde se dependa da fé ou não de alguém. O problema do neo pentecostalismo é como eles apresentam e veiculam os supostos milagres. Pois o que eles deixam transparecer, seus objetivos não são para glorificar a Deus e sim um comércio eclesiástico com fins financeiros. Entende-se isso pelo modo como eles apelam para as pessoas irem até seus encontros e prometendo resultados garantidos como se eles fossem dono do poder e não Deus. Quando se faz uma interpretação coerente e embasada em uma análise coerente, assumimos o entendimento que todo e qual milagre está  dentro da vontade de Deus e isso não nos dá margem para garantir uma cura milagrosa a ninguém. Pois para que isso aconteça se tem um conjunto de fatores a ser considerado: a fé de quem está para receber o milagre, a fé de quem apresente o beneficiário e principalmente a vontade de Deus. A outra observação a ser feita é o exorcismo.

O exorcismo.

          Tomando como referência o que falamos sobre a cura divina, poderemos verificar que o exorcismo tem fundamento bíblico teológico dentro do mesmo pressuposto da cura. Podemos então questionar quais os fins e as práticas dos neo pentecostais em relação ao exorcismo. O movimento em questão (neo pentecostal) deixa transparecer, que o exercício do exorcismo tem como objetivo a propagação da instituição em questão e não benefício promovido pela empatia e sensibilidade que eles poderiam ter pelas pessoas que podem ser beneficiadas. Pois eles fazem a mesma divulgação tal qual a feita em relação a cura. O que é curioso nesse procedimento, é as suposta expulsão dos demônios lhe é dada uma grande ênfase como forma de enaltecer a sua entidade religiosa. Pode-se observar ainda, sobre este assunto, que as invocações aos demônios e as supostas entrevistas feitas a eles, deixa clara suas intenções que são interesses um tanto duvidosos quanto apenas a vontade de cooperar na promoção do reino de Deus, mas dar a impressão de que por trás de toda a ação está também aquilo que é o carro chefe deles, a troca de supostos milagres por dinheiro. Surge então mais uma interrogação: como considerar um ensino bíblico teológico conciso?

 

ENSINO BÍBLICO TEOLÓGICO CONCISO.

         Segundo o Dicionário online (2020), ensino é “substantivo masculino Ação, arte de ensinar, de transmitir conhecimentos. Orientação no sentido de modificar o comportamento da pessoa humana. Instrução. Orientação. Educação. /Atividade de magistério. Cada um dos graus da organização escolar”. Fundamentado nesses conceitos desejamos levar o leitor a uma reflexão temática sobre o assunto. Tomando-se como recurso alguns pontos que consideramos essenciais para um ensino bíblico conciso. Para tanto observa-se a partir da hermenêutica bíblica, como ferramenta para se interpretar de maneira correta um texto ou formar uma doutrina bíblica. Faz-se necessária observar alguns critérios como, por exemplo, a visão panorâmica da História dos princípios evangélicos encontrados em cada um dos períodos abaixo relacionados para uma boa interpretação bíblica para um ensino bíblico teológico conciso.

  1. Exegese Judaica Antiga.

         Deve-se considerar como era o entendimento e interpretação sobre determinado assunto na época do povo judeu da antiguidade; tendo em vista que as Escrituras não surgiram no período moderno e muito menos no pós-moderno. É fundamental entender os seguintes ptincípios:

a)    Como é feito o uso do Antigo Testamento pelo Novo;

b)    Deve ser feita uma consideração sobre a Exegese Patrística (100 - 600 d.C);

c)    A Exegese Medieval deve ser considerada para um melhor entendimento do pensamento da época (600 - 1500 d. C). Bem como a exegese da reforma, pós reforma e a hermenêutica moderna, com o objetivo de uma melhor compreensão sobre o assunto em questão. Agregado a este valor, deve ser considerada a Crítica textual. Pois ela procura determinar as palavras exatas usadas no texto em estudo. Não deixar de entender que a Exegese cuida da interpretação gramatical e histórica do texto e as palavras envolvidas, dando luz à Hermenêutica que Busca o sentido do texto, entendendo como esse é aplicado a nós ou o sentido dele para os dias atuais. A hermenêutica é classificada por alguns aspectos e considerando-se isso, veremos o seguinte, a hermenêutica é classificada em vários aspectos:

Hermenêutica especial.

          O fundamento desse tipo de hermenêutica, entendimento como Hermenêutica especial, propõe observar as regras que se aplicam a gêneros específicos, como parábolas, alegorias, tipos e profecias. Quando se quer interpretar as Escrituras, pode haver diversos bloqueios para uma compreensão espontânea do significado primitivo daquela mensagem. Pois existe um abismo histórico no fato de nos encontrarmos largamente separados no tempo, tanto dos escritores quanto dos primitivos leitores. Só para exemplificar, consideremos o porquê da antipatia de Jonas pelos Ninivitas. Essa antipatia assume maior significado quando entendemos a extrema crueldade e pecaminosidade do povo de Nínive (Jn 1.1-3). Em segundo lugar, existe um abismo Cultural, resultante de significativas diferenças entre a cultura dos antigos hebreus e a nossa. Um outro bloqueio à compreensão espontânea da mensagem bíblica é a diferença linguística. Pois a BÍBLIA foi escrita em hebraico, aramaico e grego, três línguas que possuem estruturas e expressáveis idiomáticas muito diferentes da nossa própria língua. Outra consideração importante é a lacuna filosófica. Esta difere sobre opiniões acerca da vida, as circunstâncias, natureza do Universo, e as várias culturas. Portanto, a hermenêutica é necessária por causa das lacunas históricas culturais, linguísticas e filosóficas que obstruem a compreensão espontânea exata da Palavra de Deus.

          A principal tarefa do exegeta em um estudo bíblico é determinar tão intimamente quanto possível o que Deus queria dizer em determinada passagem bíblica, e não o que ela significa para a pessoa que ler. Se aceitarmos o ponto de vista de que o sentido de um texto é o que ele significa para todos os leitores, então a Palavra de Deus pode ter tantos significados quantos forem seus leitores. Para os teólogos mais conservadores, por exemplo, as palavras da Bíblia podem ser usadas em sentido: literal, figurado e simbólico. Exemplos: Literal: Foi colocada na cabeça do rei uma coroa cintilante de Jóias; Figurado: (Um pai bravo com o filho) disse que na próxima vez que ele lhe chamasse de coroa ele (o filho) iria ver estrelas ao meio-dia; Simbólico: “Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça” (Ap 12.1). Outra questão fundamental é a cultura e seu contexto. Quando se vai fazer uma análise bíblica mais consistente, é essencial que se adote o seguinte critério:

a)    Determinar as circunstâncias históricas gerais;

b)    Estar cônscio das circunstâncias e normas culturais que acrescentam significados a determinadas ações;

c)    Discernir o nível de compromisso espiritual da audiência.

          Esse conjunto de conhecimento nos embasa para melhor compreender e assimilar determinado assunto bíblico. Coisas que muitos supostos interpretes bíblicos não usam. Senão vejamos alguns exemplos. No neo pentecostalismo o exame das Escrituras tem perdido espaço para a experiência individual e particular. Pois este movimento faz uma abordagem individualista e tendenciosa das Escrituras. Eles consideram as Escrituras como um livro de soluções de problemas e não como a revelação especial de Deus. Isso leva a alguma interrogações.

Como aplicar a Palavra de Deus em nossos dias?

          A resposta coerente é: baseie sua aplicação em uma interpretação correta.  Se a interpretação for incorreta, a aplicação também poderá ser falha. Jesus disse: “Se o teu olho direito o fizer pecar, arranca-o e lança-o fora...” (Mt 5.29). A aplicação deste texto não pode ser literal. Pois quando se examina o que Jesus disse a respeito da origem do pecado no homem: “Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5.28). Se a intenção desta frase fosse literal, não recomendaria arrancar o olho e sim o coração, pois é dele de onde se origina o pecado. Analisando-se nesse sentido o resultado a que se pode chegar promovido pela crise de nossos dias. Pois hoje está difícil encontrarmos pessoas dispostas a dedicar suas vidas a proclamação o verdadeiro Evangelho. Assim, o que se pode esperar de uma igreja que só tem visão para os bens matérias? Certamente se tornará em uma igreja mercenária tendo um apego excessivo aos bens matérias. Logo se verifica que esta deve ser a prioridade da Igreja de Cristo. Qual a recomendação de Cristo desse sentido? “Mas buscai em primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33). Concebe-se aqui a ideia de um serviço prestado por amor a causa sem intenção a lucros financeiros.

Considerações

Diante do exposto se chega à conclusão que o neo pentecostalismo prega um evangelho empírico. Depois das análises embasadas no ponto de vista conceitual da hermenêutica e a exegese, verificando-se também os fundamentos doutrinários da teologia bíblica usada neste trabalho de pesquisa, é inquestionável que a referida igreja não tem uma mensagem consistência do verdadeiro Evangelho.

          Verifica-se ainda que o Evangelho, segundo a definição do moderno dicionário da língua portuguesa (1971) que o define como a “doutrina de Cristo”. E para o Dicionário Bíblico “A palavra Evangelho, deriva do grego ‘eu-angelion’”, e ambos mantem o significado de “boa nova”, não está em coerência com a doutrina dos noe pentecostais. Pois a pseuda hermenêutica adotada pelos neo pentecostais se constitui em uma armadilha para aqueles que procuram um ensino bem embasado nas verdadeiras mensagens do Evangelho de Cristo. Diante de tudo isso o que se ver nesta pesquisa, é que o fundamento central do referido movimento, tem como objetivo central a disseminação de uma “teologia” da prosperidade divorciada da hermenêutica bíblica, pois ela considera a prosperidade bíblica em dois eixos principais: prosperidade para Israel e prosperidade para a Igreja de Cristo no Novo Testamento. E isto difere e muito do que pragam os neo pentecostais.

 

REFERÊNCIAS

https://www.dicio.com.br/prosperidade/ 22/06/2020.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Empirismo 23/06/2020

NASCENTE, Antenor et al Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. Panduá pandú Brasília 1971

MAIA, Raul et al Dicionário Bíblico. Difusão central do livro. São Paulo 2012

ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada revista e corrigida. Sociedade bíblica do Brasil São Paulo 1998

https://www.dicio.com.br/ensino/ 23/06/2020

Teresina Piauí, --- de ------ de 2020.

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